“O "O MEU PÉ DE
LARANJA LIMA"
Contexto da
Literatura Infantil
Temos informações
que desde a Idade Média a literatura
Infantil tem preocupado em ganhar seu espaço valorizando-se através da oralidade histórias fantásticas de bruxas, castelos, gigantes, dragões, fadas, enfim todos os elementos que povoam, hoje, nos desenhos animados televisivos e cinematográficos. Embora
na Idade-Média não houvesse regras que limitassem o que era criança e o que era adulto, estas duas realidades eram bastante tênues. A partir dos sete anos de idade a criança era considerada um adulto mirim, acreditando-se que essa criança já estivesse preparada para enfrentar o mundo. Crianças e adultos participavam de tudo, inclusive das histórias fantásticas que eram narradas em praças públicas em noites enluaradas. Hoje, embora a nossa sociedade faça uma divisão entre crianças e adultos é de se levar em conta que a tecnologia está a igualá-las tanto psicologicamente, quanto fisicamente. É de se perceber que a leitura a cada dia ganha mais adeptos, isso graças às crianças que estão a descobrir o mundo através dela. Esta obra de José Mauro de Vasconcelos, infelizmente, caiu no esquecimento, talvez por se tratar de uma Literatura Infantil, que há excesso de sensibilidade. Se recorrermos aos manuais de Literatura Infantil, perceberemos, que poucos, ou quase nenhum, indica a leitura desta obra, pois diante de um mundo extremamente capitalista, a sensibilidade tem perdido o valor. Zezé é um garoto fruto de uma época tão remota, cujas ações parecem estar distantes da sociedade atual, que deveria, sem dúvida, privilegiar garotos sensíveis e inteligentes como ele. ENREDO DE "MEU PÉ DE LARANJA LIMA"
“O Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos nos relata a história do menino Zezé. Uma história fascinante na qual Zezé vive uma dura realidade e se refugia no mundo da imaginação. Tendo apenas seis anos de idade,
ele descobre a leitura sozinho, sem ter passado pela escola ou alguém tê-lo ensinado. Ele é um menino muito inteligente, peralta, de bom coração e de incrível sensibilidade. Em meio a pouca condição da família, principalmente do pai, desempregado, a mãe enfrenta uma longa jornada de trabalho na fábrica, onde tem de trabalhar, além dela, a filha mais nova. A família de Zezé vive conflitos de constantes tenções. Zezé, desde cedo, começa a compreender as dificuldades da vida, embora ainda fosse uma criança. No natal ele sente na pele as conseqüências da dificuldade financeira da família. Ele é vítima inúmeras vezes da incompreensão dos adultos, sendo ele um menino especial, embora incompreendido ou ignorado de tal importância. Ele se apóia na amizade e no amor da sua irmã Glorinha e aos cuidados prestados ao seu irmão casula, Luís. Conta também com um importante confidente, o Minguinho, o pé de laranja lima. Eles têm longos diálogos, nos quais, Zezé relata suas inúmeras peripécias e aventuras. Durante a narrativa, ele encontra um grande amigo na pessoa do Portuga, o português, Manoel Valadares, que o conforta e lhe ensina o significado de ternura. O que mais sensibiliza nessa emocionante história são as inúmeras surras que Zezé recebe sem necessidade. O trem Mangaratiba está sempre presente na narrativa e esse mesmo trem provoca a morte do seu amigo Portuga. Nessa mesma época o Minguinho começa a sair as suas primeiras flores e perde o encantamento para Zezé, que também perde o encantamento pela vida. Ele conclui que a dor que sente pela perda do amigo, o Portuga, é muito maior que a dor das terríveis surras que ele levara. Zezé descobre tudo muito cedo: a dureza da vida, a amizade, o bem e o mal. Nisto vemos como é cruel e doído o mundo dos adultos em que vivemos.
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